O Peixinho Vermelho (tema:força de vontade)

peixinho vermelho
Na introdução do Livro Libertação, Emmanuel (psic.Chico Xavier) nos conta a estória (lenda egípcia) do Peixinho vermelho que é a seguinte:

 “Em lindo jardim, havia grande lago, adornado com azulejos azul-turquesa onde vivia uma comunidade de peixes a se refestelarem, preguiçosamente e satisfeitos, devido à vida fácil. Tinham como rei, peixe graúdo, eleito pela comunidade. Nesta comunidade, um peixinho vermelho, irrequieto, vivia às correrias, atrás de comida e em busca de seu espaço, sempre pressionado pelos peixes maiores, deseducados e egoístas.

Por se sentir insatisfeito com a inatividade da comunidade, buscava atividades. Pesquisava o ambiente, analisava azulejos, explorava áreas mais escondidas etc. Foi assim que descobriu que o lago recebia água por ralo e que também a mesma deixava o lago por outro ralo distante. Pôs-se a pensar e imaginar o que poderia haver adiante, para onde as águas estivessem indo.
     
Decidiu-se e num esforço todo especial, conseguiu ultrapassar as grades do ralo. E, ao seguir pelo córrego, depois por outro maior, depois por pequeno riacho, após por rio eis que chega ao mar. Enorme foi seu aprendizado pelo caminho, uma vez que encontrou lugares, pessoas, outros peixes, águas diferentes, perigos por certo, alargando conhecimentos e entendimentos. Instalou-se em aprazível coral vivendo em harmonia com a comunidade e seus pares.
     
Aprendeu que no mar a vida estava garantida o que não ocorria em terra, devido aos riscos de secas e outros fenômenos. Irrequieto e agora mais consciente, não conseguia deixar de pensar em sua antiga comunidade, isolada e egoísta, estagnada acreditando-se, todavia, especial e protegida. Pensou, pensou e resolveu deixar seu coral para ajudá-los. Fez todo o caminho inverso, com sacrifício e com maior sacrifício ainda tornou a vencer as grades. Para sua surpresa sua ausência praticamente não havia sido notada.
     
Ainda assim, começou a divulgar a boa nova, de outros mundos e de um mundo aquático fantástico onde todos os peixes eram felizes. Riam dele, presos a seu entendimento limitado e inculto. Tanto falou e insistiu que o rei o recebeu na corte, para que falasse a todos. Assim o fez detalhando sua aventura e as riquezas a disposição de todos, desde que fizessem um esforço especial para poderem passar pelas grades. Exercícios, regimes e toda uma preparação mental eram necessários para tal. Dele riu o rei e todos os presentes.
     
Louco era ele em pretender que mudassem suas vidas de sucesso por sacrifícios enormes em nome de idéias provavelmente fantasiosas, sem provas de sua existência real. Desiludido, voltou ele para sua comunidade onde tornou a se integrar nas atividades da comunidade esquecendo a sua antiga turma.
Só lembrou dela, tempos depois, ao ouvir sobre pavorosa seca a se abater sobre as terras longínquas de onde saíra...

Assim também nós.
Somos peixinhos ávidos de saber e buscamos expandir nosso horizonte ou somos peixes acomodados com o que temos, seja pouco ou muito, mas seguro para todo e sempre, crentes de que um deus nos protege e garante-nos nesta vida estagnada e material, sem desafios?
E se vier a seca?